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Sabado, 28 de Novembro de 2009
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Jogando com o nome
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É muito engraçado acompanhar a escalação de um time de futebol brasileiro atual. O que antes era exclusividade dos times europeus, hoje também é regra no Brasil: os jogadores com sobrenome. Se há dez anos os nossos times estavam recheados com jogadores de apelidos curiosos, como Mona, Boiadeiro, Cafezinho, ou com diminutivos – como Juninhos, Marcelinhos e Fabinhos não nos deixam mentir –, agora anda bem difícil encontrar um time que não tenha jogadores com vários nomes. Na Europa isso é comum. Alessandro Del Piero, Ronald Koeman, Cesc Fábregas, Thierry Henry, Luca Toni. E, como bom país colonizado que somos, parece que resolvemos importar a mania.
Essa febre chegou de repente e pouco a pouco ganhou ares de epidemia. Um dos primeiros afetados foi Marcelinho, que, ao desembarcar no Corinthians, no começo dos anos 90, virou Marcelinho Carioca. De quebra, ainda fez o outro Marcelinho do time adicionar o apelido “paulista”. Logo depois, o Juninho, aquele baixinho que jogava no São Paulo e adorava andar com modelos que tinham pelo menos o dobro do seu tamanho, passou a ser chamado de Juninho Paulista, enquanto o outro Juninho, que depois viria a ser tão reverenciado na França quanto Napoleão e Jerry Lewis, virou Juninho Pernambucano, ou “Pernambucano”, como dizem os franceses. Lembro ainda do Roque Júnior, que em suas primeiras partidas pelo Palmeiras era chamado de Júnior II (seria ele descendente de algum imperador famoso chamado Júnior I?).
Aos poucos, nos acostumamos a ver Kleber Pereira no lugar de Kleber, Diego Souza ocupando o lugar de Diego, Felipe Melo no lugar de Felipe. Tá certo, muitas vezes é preciso diferenciar dois jogadores de mesmo nome que jogam no mesmo time. Não são todos os atletas que nascem com a sorte de ter um nome único, como Keirrisson, Kerlon, Maikon ou Jorbison. O fato é que os nomes simples, os apelidos, os diminutivos, acabaram perdendo espaço para os nomes compostos.
Chegamos ao absurdo de ter um único time com Marcelinho Paraíba e Carlinhos Paraíba. Tomara que o Coritiba não contrate o Nei Paraíba. E o Júnior César? Quem inventou esse nome? O nome dele é Junior e o sobrenome é César? Rodrigo Pimpão? Isso é nome de jogador de futebol ou de bichinho de pelúcia?
O meu medo é ver que isso começa já nas categorias de base. Mais que treinar passe, finalização, posicionamento, parece que a função maior dos técnicos é encontrar uma boa alcunha para os futuros craques. O Dentinho, por exemplo, quase foi tucanado para Bruno Bonfim.
E quem mais sofre com isso, somos nós, os torcedores. Ou melhor, as torcidas organizadas. Ou você acha que é fácil achar um rima para Fábio Rochemback?
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