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Mané Garrincha no Corinthians


03/11/2009

Manuel Francisco dos Santos, ou simplesmente Mané Garrincha, nasceu na cidade de Pau Grande (RJ) em 1933. Seus dribles desconcertantes começaram a atordoar os adversários quando o garoto ainda tinha 14 anos e defendia as cores do Esporte Clube de Pau Grande. Algum tempo depois, ao conquistar a preferência do ex-jogador botafoguense Arati, Garrincha foi treinar no time da estrela solitária, onde permaneceu de 1953 a 1965. Pelo alvinegro carioca, disputou um total de 614 partidas e balançou as redes adversárias 245 vezes.


Com o nome definitivamente gravado no coração dos botafoguenses, em março de 1966 Garrincha veio jogar no Corinthians. Tinha 32 anos, fora bicampeão mundial com a seleção brasileira (1958 e 1962), estava com alguns quilos a mais e seu joelho direito havia sofrido várias lesões.


A partida de estreia não poderia acontecer em outro palco senão o Pacaembu, que na noite daquela quarta-feira, 2 de março, foi tomado por 45 mil torcedores vestidos de preto e branco para assistir Corinthians x Vasco, jogo válido pelo torneio Rio-SP. Entretanto, o atual campeão paulista e da Copa do Brasil não atravessava uma fase muito feliz naquela década e a partida terminou 3 a 0 para os cariocas. Garrincha teve atuação apagada.


Oito dias depois, o Timão foi ao Maracanã, para enfrentar ninguém menos do que o Botafogo. Novo revés: 5 a 1 para o time da estrela solitária, com Rivellino descontando para os paulistas. O primeiro gol do ponta-direita das pernas tortas pelo alvinegro paulista foi marcado contra o Cruzeiro, na vitória corintiana por 2 a 1, no dia 13 do mesmo mês.


A melhor atuação de Garrincha pelo time do Parque São Jorge aconteceu contra um dos rivais mais tradicionais, o São Paulo. Aos 34 minutos do primeiro tempo, 50 mil corintianos viram Garrincha descer pela ponta direita, avançar em direção à área e, mesmo sem ângulo, bater de três dedos na bola, que viajou em curva até morrer nas redes tricolores. Corinthians 2 x 0 São Paulo, com uma obra de arte de Mané.


O pior momento do astro carioca defendendo o Corinthians levou a Fiel ao desespero: desperdiçou um pênalti, aos 43 do segundo tempo, contra o arquirrival Palmeiras. A cobrança de Garrincha foi parar nas mãos do goleiro Valdir Joaquim de Moraes e a partida terminou em 2 a 1 para o Palestra.


Mané defendeu o Corinthians em 13 jogos e marcou apenas dois gols. Sua última partida pelo clube paulista foi na derrota por 3 a 0 para o Santos, em 9 de outubro de 1966, um ano e dois meses antes do fim de seu contrato.


Questões como o alcoolismo, o problema no joelho direito – agravado por uma pancada desferida por Zito (companheiro de Mané na seleção brasileira que foi à Copa do Mundo de 1966, que à época defendia o Santos) na fatídica derrota por 3 a 0 – e turbulências políticas dentro do Corinthians abreviaram a passagem de Garrincha pela terra da garoa.


Ao voltar da malograda Copa do Mundo, Garrincha já não tinha o respaldo de Oswaldo Brandão como técnico do Timão. O argentino Filpo Núñez assumira o cargo e mandara Garrincha para a reserva. Pouco tempo depois, Núñez foi substituído por Zezé Moreira, amigo de Garrincha. Mas isso não foi o bastante para assegurar a presença de Mané na escalação titular. Sem o arranque, o equilíbrio, a mobilidade e a resistência de outrora, Garrincha continuou esquentando o banco.


No segundo semestre de 1966, havia vários sinais de um incêndio nas esferas políticas do Corinthians. Vicente Matheus, então representante da oposição, usou o nome de Garrincha para atacar o presidente Wadih Helu e acusá-lo de desviar dinheiro do clube. Entretanto, Helu seguiu à risca o combinado com Garrincha e pagou-lhe todos os reajustes e parcelas das luvas.


Em dezembro, Garrincha pediu para ser liberado. Queria voltar para o Rio de Janeiro. Analisando os dois lados da moeda, Helu o deixou ir sem empecilhos. Não havia motivos para que o resto do contrato fosse cumprido e, para evitar problemas com a oposição, Helu estipulou o passe de Garrincha em 300 milhões de cruzeiros, liberando o jogador para procurar outro clube.


Depois do Timão, Garrincha continuou em decadência em rápidas passagens pela Portuguesa do Rio de Janeiro, o Atlético Junior, da Colômbia, o Flamengo e o Olaria.
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